Monday, December 28, 2009

Pura Gramática


Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.

Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.

Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.

Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.

Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.

Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.

Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.

Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.

Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisto a porta abriu-se repentinamente.

Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.

Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.

Que loucura, meu Deus!

Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.

Só que, as condições eram estas:

Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Fernanda Braga da Cruz

Monday, January 26, 2009

ORGULHO EM SER PORTUGUÊS

Durante escavações nos EUA, arqueólogos americanos descobriram, a 100 metros de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1000. Os Americanos concluíram pois que os seus antepassados já dispunham de uma rede telefónica naquela época.

Os Espanhóis, para não ficarem atrás, escavaram também o seu subsolo, encontrando restos de fibra óptica a 200 metros de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que tinham 2.000 anos de idade e, triunfantes, anunciaram ao Mundo que os seus antepassados já dispunham de uma rede digital à base de fibra óptica quando Jesus nasceu!


Uma semana depois, no Porto, foi publicado o seguinte anúncio: "Após escavações arqueológicas no subsolo de Lisboa, Porto, Algarve, Guimarães, e mesmo no deserto da Margem Sul, a uma profundidade de 500 metros, os cientistas portugueses não encontraram absolutamente nada. Conclui-se assim que os nossos antepassados já dispunham, há 5.000 anos, de uma rede complexa de wireless!".

PS - Gostaria de agradecer à minha Mana Balónica Ana Rebelo Jorge, pelo excelente, formidável, fenomenal, brilhante, magnífico, soberbo e titânico Email que deu origem a este post... Mais se informa que o texto exposto foi copiado na íntegra... A edição do GandaMokada é contra o plágio... AHAHAH... ;)


Tuesday, October 14, 2008

AS CRÓNICAS DO FERROTE

Em 1963 nascia em Vilar Barroco (pequena localidade do Concelho de Oleiros), uma das personalidades que iria em pleno século XXI, ter um dos maiores destaques da Beira Baixa. De seu nome Ferrote do Vilar, ou simplesmente conhecido por FERROTE, tem-se destacado como o maior Inventor da zona do pinhal. Tal como todas as grandes personalidades da história do nosso país, não lhe tem sido dado o devido reconhecimento a nível nacional, única e exclusivamente porque ainda está vivo (tem-se mantido altamente conservado em álcool). Desta forma, e em homenagem a este grande fenónemo da humanidade, aqui ficam no GANDAMOKADA, as CRÓNICAS DO FERROTE.

O impressionante desta merda, é que isto é verdade...


QUANDO O FERROTE INVENTOU UM HELICÓPETRO
No dia 13 de Abril de 1996, Ferrote termina uma das suas principais invenções - O Helicópetro. Não se tratava de um Helicópetro qualquer, tratava-se do Helicópetro do Ferrote. Às 12 horas e 55 minutos desse mesmo dia, a grande invenção é posta à prova pela primeira vez num voo experimental que iria alterar profundamente a história da Beira Baixa. Tudo correu bem numa fase inicial, o Helicópetro levanta voo e lá foi o Ferrote sobrevoando as altas serras da zona do pinhal. Em pleno voo, Ferrote recorda-se que se tinha esquecido de instalar um sistema que permitisse a descida do Helicópetro. Ora pois então, Ferrote limita-se a voar até acabar a gasolina. Quando a gasolina acaba, Ferrote despenha-se em cima de um grande monte de silvas e perde os sentidos. Os aldeões do Vilar, que tinham assistido a toda a cena, apressam-se a ir socorrer Ferrote ao monte de silvas. Quando chegam, tentam acordar Ferrote dizendo-lhe: ACORDA FERROTE, JÁ ESTÁS EM TERRA... Ferrote acorda imediatamente e diz surpreendido: O QUÊ? JÁ ESTOU EM INGLATERRA?

QUANDO O FERROTE FOI APANHADO PELA BÓFIA
Ferrote, tal como todo o cidadão normal, também tem direito a uma noite de diversão de vez enquando. Dessa forma, houve um determinado dia em que foi até Castelo Branco curtir a night com os amigos. Tal como todo o cidadão normal, Ferrote entusiasmou-se nessa noite e bebeu uns copos a mais. Foram tantos, tantos a mais, que foi detido pela Bófia quando voltava para casa ao volante do seu Rolls-Royce Bentley 3½-Litre Sports Saloon 1935. Os copos foram tantos, tantos a mais, que lhe deram direito a passar a noite na esquadra. Enquanto era detido, impulsionado pela forte raiva que sentia por toda aquela situação, Ferrote gritava: EU, FERROTE DO VILAR, TENHO DINHEIRO PARA COMPRAR TODOS OS POLÌCIAS DE CASTELO BRANCO. A coisa ficou por alí, até porque entretanto Ferrote adormeceu dentro do carro da Polícia. De manhã, quando acorda na esquadra com uma forte dor de cabeça, o Polícia de serviço pergunta-lhe: ESTÁ MELHORZINHO SR. FERROTE? ONTEM DIZIA QUE TINHA DINHEIRO PARA COMPRAR TODOS OS POLÍCIAS DE CASTELO BRANCO... Ao que Ferrote responde altamente determinado: OH SR. GUARDA, UM GAJO COM A BEBEDEIRA LEMBRA-SE DE COMPRAR COM CADA MERDA...

Thursday, October 2, 2008

A ANEDOTA MAIS SECA DO MUNDO

Estavam um Ovo Estrelado e uma Batata dentro de uma panela de Pressão...
A Batata comenta:
"Txiiii, tá um calor aqui"
O Ovo Estrelado responde:
"Meu deussssssssssss, tirem-me daqui, uma Batata que fala..."

PÉROLAS DE CRUXINHO

1 - Eu só faço o que faço, e o que faço não conto;
2 - Você sabe por acaso como é que faz um mecanismo de um relógio? Pois ora muito bem, agente utiliza o mecanismo do relógio para alimentar os peixes;
3 - Nem tudo é peixe para o meu aquário;
4 - Diz-me que carro tens, dir-te-ei quem és;
5 - O Paradela é um calhau de dois olhos;
6 - Permita-me que lhe pergunte o seu nome para que o possa utilizar nas minhas orações;
7 - A vida é como um palco e eu tou a ser o palhaço, única e exclusivamente porque tou a representar;
8 - Já almoçou? Boa gestão;
9 - Hoje em dia já só vivo de palavras;
10 - O Amor é como o moinho, roda, roda roda.
11 - Penso, logo exausto.
12 - Quando é k vai de férias????? Dia 34.
13 - Você, com uma formiga e um cordel, faz a festa sozinho.
14 - Você parece o terceiro calhau a contar da lua.
15 - Ela era demasiado feia para ser uma mulher, e demasiado bonito para ser um homem.
16 - Vou por paineis votovoltáicos em minha casa.
17 - Na minha casa tenho sóis em todos os quartos.
18 - Todo o homem se vende, aquele que não se vende regateia o preço. Esses, são os mais caros.
19 - Não sou mentiroso, apenas apelo à inverdade dos factos.
20 - Fórmula da energia produzida num gerador = quando a Rainha de Inglaterra faz "K".
21 - Eu sou aquilo que as pessoas querem que eu seja.
22 - Eu só poupo aquilo que não gasto.
23 - A Coca-Cola tem uma substância altamente prejudicial para a saúde, o Ácido Pirogalho.


Tuesday, July 22, 2008

CAJÓ, O HOMEM MAIS PODEROSO DO MUNDO

Talvez um dos sinais mais importantes para perceber o nosso tempo (isto supondo, claro, que é possível perceber o nosso tempo) seja o facto de o Oráculo de Delfos ter perdido toda a sua popularidade para o Oráculo de Bellini. A diferença essencial entre os dois é que o segundo leva 75 euros à hora. De resto, o primeiro recomendava «Conhece-te a ti mesmo», o que, pelo menos no meu caso, constitui um péssimo conselho. Conheço-me apenas de vista, e já é bom. Um conhecimento profundo obrigaria a uma convivência mais intensa, e eu não me dou com gente desta. Sei apenas que dificilmente mereço fazer parte daquilo a que se chama Humanidade. Enquanto grupo, percorremos um longo caminho, desde o macaco até àquilo que somos hoje, mas eu não há maneira de o esconder continuo inquietantemente próximo do macaco.

A Humanidade foi à Lua, é certo, mas eu não sei como. Às vezes tenho dificuldade em ir à Brandoa sem parar para pedir indicações. Parece que fizemos a fusão do átomo, mas eu, pessoalmente, nem sei reconhecer um átomo se o vir na rua, quanto mais fundi-lo. Em contraponto, descasco maravilhosamente amendoins. Sou competente a catar piolhos. Aprecio uma banana de vez em quando. Não me digam que não continuo mais próximo do macaco do que do homem moderno.

A minha sorte é que o mundo não é do homem moderno. O mundo, percebemo- -lo esta semana, está nas mãos dos camionistas. A mesma sociedade que coloca uma sonda em Marte paralisa se os camionistas se chateiam. A era da tecnologia, da Internet, dos arranha-céus e da conquista do espaço não pode nada contra os profissionais da camionagem. A Humanidade descobriu vacinas para quase todas as doenças, mas os camionistas conduzem veículos que são mesmo muito pesados. A Humanidade inventa máquinas, constrói pontes e escreve poesia, mas os camionistas atiram pedras e aquilo aleija. A Humanidade não tem hipótese nenhuma contra os camionistas.

Parece claro que o homem mais poderoso de Portugal não é José Sócrates, nem Belmiro de Azevedo, nem Manuel Luís Goucha (embora eu não seja daqueles que negligenciam o poder do programa Você na TV). O homem mais poderoso de Portugal é o Cajó, que conduz um Scania de 12 rodados. Se ele convencer os amigos a não trabalharem durante 15 dias, acaba a comida, a água e a gasolina. A nossa civilização está a uma semana de distância do estado de sítio. Se o Cajó acordar maldisposto, isto descamba.

(Ricardo Araújo Pereira, in "Caos é sempre que um camionista quizer")


A BUFA

Depois de um dia de conferências, muitos colegas doutores encontram-se no Bar do hotel. E ai contam as suas últimas conquistas científicas.

O australiano começa:
- Tivemos um fulano que foi atropelado e a única coisa intacta que tínhamos era o seu dedo mindinho. Pois, a nossa equipa conseguiu, pelo DNA, refazer a mão, um ovo braço, um novo corpo! O paciente ficou tão capacitado que ao ter alta, tirou o emprego de cinco pessoas!

Isso não é nada! - Diz o americano.
- Nós tivemos o caso de um operário que caiu no reactor atómico de uma central nuclear! A única coisa que sobrou dele foi um cabelo. Pois pelo DNA dele conseguimos reconstituir completamente todo o seu corpo. Depois de ter alta, esse paciente mostrou-se tão eficiente que cinquenta pessoas perderam o emprego!

O português pede a palavra:
- O caso que vou contar é muito mais interessante: um dia em que eu estava a andar pelo hospital senti o cheiro de um peido. Imediatamente, eu o capturei num saco que levei até ao laboratório. Chamei minha equipe e começamos a trabalhar. Primeiro, a partir do peido, fizemos um ânus, em seguida reconstituímos o intestino, e pois, pouco a pouco, todo o corpo e por fim o cérebro. O projecto desta criatura foi chamado José Sócrates e está a ter um desempenho tão fantástico que milhares de pessoas vão perder o emprego!!!